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segunda-feira, 2 de julho de 2012

‘Marcha das Vadias’ reúne centenas de jovens na Frei Serafim em THE

CENTENAS DE PESSOAS SE reuniram na tarde desta sexta-feira (29) na Avenida Frei Serafim, em Teresina, para a primeira edição das Marchas das Vadias, protesto contra o machismo e em defesa da liberdade da mulher. 
 
O movimento teve origem no Canadá, em 2011, e espalhou-se rapidamente pelo mundo.

Com mensagens pintadas nos corpos e em cartazes, mulheres e homens- em sua maioria jovens e universitários – caminharam em passeata pelo centro da cidade. “Entre um homem e uma mulher só o que deve bater é o coração”, estampava uma manifestante.

O termo “vadia” é forte e espanta. A escolha é proposital. A ideia é mostrar que o tamanho das roupas e o comportamento sexual, por exemplo, não podem ser usados como pretextos para legitimar a violência contra a mulher. “Ser vadia é ser livre”, explica a universitária Cacau Silva, 23 anos, que diz sempre receber olhares atravessados por gostar de roupas que valorizam suas pernas.
Criado sob incontáveis paradigmas, o sexo feminino é pressionado a seguir padrões de comportamento pautados no machismo. Se transa no primeiro encontro, é vadia. Se beija mais de um na noite, é vadia. Se usa roupas curtas, é vadia. Se luta pelos seus direitos, é mal amada. “Não queremos nos prender a esses conceitos conservadores. A mulher quer e tem que se libertar”, diz a universitária Jocélia Campelo, 19 anos. Estreando em manifestações de rua, a jovem considera que a palavra “vadia” ajuda na discussão. Por ser impactante, gera curiosidade e motiva o debate.

Grupos LGBTs também participaram da manifestação. A violência com essa população é potencializada. “A mulher lésbica é a única que sofre o que chamamos de estupro corretivo; na cabeça do agressor, ela gosta de se relacionar com o mesmo sexo por não ter encontrado o macho ideal”, denuncia Marinalva Santana, representante do Matizes. A funcionária pública diz que o machismo e a homofobia têm a mesma raiz, que é a “incapacidade de ver o outro como igual”.

Mas esse não é um papo só das mulheres. Tem tudo a ver com os homens também. É o sexo oposto quem mais agride, assassina e desrespeita. “Macho de verdade não bate em mulher”, afirma Ícaro Igreja, 30 anos. O estudante tirou a camisa e vestiu um sutiã durante a marcha. Na barriga, a provocação: “Me estupre.”

Os rótulos usados para taxar as mulheres – a exemplo de vadia e periguete – são, na avaliação de Igreja, pretextos para legitimar ações violentas. Na adolescência ele sofria agressões por ser nerd. E muitos homens ainda usam justificativas dessa natureza para sustentar seu machismo. “Eles dizem: ‘Se não tivesse vestida assim, não teria sido estuprada.’ Invertem e colocam a culpa da violência na vítima”, explica.

O promotor Francisco de Jesus, 40 anos, levou a filha caçula para a marcha. Andreia, de apenas três anos, olhava atentamente a movimentação. Pai de quatro filhas, o representante do Ministério Público levanta a necessidade de conscientizar a sociedade para respeitar e proteger seus iguais. “Não temos nem putas, nem santas, temos mulheres. É essa a visão que devemos ter”, aconselha.

A síntese do que buscam esses manifestantes estava escrita nas costas de uma criança: “Liberdade é meu futuro!”
 
O Dia

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